Domingo, 8 de Março de 2009

Perigos e riscos na escola! Como agir para prevenir?!

 

     A segurança e Saúde no trabalho, nomeadamente na área educativa são problemáticas actuais.
   É crucial que os intervenientes da acção educativa (e não só) se sintam seguros e protegidos no seu local de trabalho.
   Urge tomar medidas para que os acidentes de trabalho, nas escolas, diminuam. Todos nós devemos querer o melhor para nós e para as nossas crianças, assim sendo o melhor é começar por adoptar práticas seguras e transmiti-las às nossas crianças.
   A OMS, Health for All in the 21st century, aponta para que, no ano 2015, pelo menos 50% das crianças que frequentam o jardim-de-infância e 95% das que frequentam a escolaridade obrigatória e o ensino secundário terão oportunidade de ser educadas em escolas promotoras de segurança e saúde. Uma escola promotora de saúde é a que garante a todas as crianças e jovens que a frequentam, a oportunidade de adquirirem competências pessoais e sociais que os habilitem a melhorar a gestão da sua saúde e a agir sobre os factores que a influenciam.
   Todas as escolas devem incutir desde cedo regras de segurança e de saúde para que os seus formandos se tornem cidadãos activos e responsáveis, contribuindo assim para uma vida saudável e segura em sociedade.

Em primeiro lugar é pertinente diferenciar risco de perigo. O perigo é algo susceptível de causar dano. O risco acontece quando há a probabilidade de ocorrer danos, ou seja, causar consequências (por exemplo a existência de uma poça de água poderá provocar uma queda).
 A segurança e saúde no trabalho, nomeadamente na área educativa, são um dos problemas mais actuais. Há inúmeras lacunas nas escolas do nosso país, e é importante, para o bem de todos, colmatá-las.
 Os estabelecimentos de ensino são locais de trabalho e como tal, estão sujeitos aos mesmos perigos presentes noutros locais de trabalho.
    Os riscos para a saúde e segurança no sector da Educação afectam todos os intervenientes da comunidade escolar, ou seja, os alunos, os professores, os funcionários, os encarregados de educação e os visitantes. Visto que o grupo é bastante diversificado e abrangente, torna-se fundamental que as entidades competentes, da instituição escolar, avaliem os potenciais riscos para a saúde e segurança, e encontrem estratégias para diminuir esses mesmos riscos.
   Estas estratégias devem estar divididas em etapas. A primeira etapa consiste em planear a avaliação dos riscos, consultando o empregado, ou seja, os trabalhadores deverão ter um papel activo na avaliação dos riscos e deverão estar directamente envolvidos nas actividades de prevenção. Os trabalhadores devem ajudar a encontrar uma solução. A segunda etapa consiste na avaliação dos riscos, ou seja, identificar casos de violência entre os alunos, entre pais e encarregados de educação, identificar eventuais perigos em infra-estruturas e em equipamentos, identificar eventuais riscos em laboratórios, entre outros. A terceira etapa consiste em identificar quais os indivíduos que estão em perigo, nomeadamente as pessoas exteriores à instituição escolar.
   Todas estas etapas têm que ser pensadas de modo a que a sua aplicabilidade seja para o grupo escolar, ou seja, para uma colectividade. 
   Quando as entidades competentes da escola encontram medidas a adoptar e as colocam em prática, não significa que o problema está totalmente resolvido. É importante reavaliar as medidas tomadas, ou seja, deve verificar-se se a situação foi realmente resolvida, se ao resolvermos esta situação não criamos outra situação perigosa e devemos também, analisar os resultados obtidos. No final desta reavaliação, deve-se voltar a avaliar todos os casos para garantir que os riscos ou perigos não voltam a aparecer.
   Como referi anteriormente, as medidas devem abranger uma colectividade, no entanto, existem casos particulares que também merecem uma especial atenção. Por exemplo, existem substâncias que podem ser danosas para grávidas. Todas as pessoas são importantes e, tratando-se de segurança e saúde, é necessário prevenir e garantir o bem-estar de todos.
   Existem lugares na escola que merecem uma particular atenção. Os laboratórios, bem como os restantes espaços, devem estar arejados, limpos, ventilados, iluminados e com humidade adequada. As vias de circulação devem estar desimpedidas e, se possível, devem estar separadas das zonas pedais. Os espaços da escola devem estar devidamente limpos para evitar quedas ou escorregadelas. As escadas ou varandas devem estar devidamente protegidas. As janelas e as portas transparentes devem ser construídas em material apropriado e devem estar devidamente assinaladas.
 Os acidentes mais comuns e banais, nas escolas, são as quedas e as escorregadelas. Visto que é um dos riscos mais comuns, as suas causas devem estar incluídas na avaliação dos riscos. O meio físico (pavimentos), a acção humana (por exemplo, água entornada), a organização (por exemplo, a falta de sistemas de limpeza), e factores individuais (por exemplo, o tipo de calçado), são os factores mais comuns que provocam as quedas e as escorregadelas.
 Para evitar as quedas e as escorregadelas na escola devem ser tomadas algumas medidas básicas, isto é, medidas muito simples. A ordem na escola, a limpeza, a manutenção, a iluminação, o pavimento, as escadarias, os derramamentos, o calçado apropriado, são factores que devem ser tidos em consideração para se encontrarem medidas básicas com intuito de minimizar os riscos.
   As medidas simples devem incidir na limpeza dos espaços e na sua boa conservação. Os espaços devem estar sempre secos (por exemplo, os pisos dos balneários). As escolas devem contratar pessoas com formação adequada, ou seja, especialistas para que a probabilidade de acontecer algo, menos bom, seja menor. Os especialistas a que me referi anteriormente, são por exemplo, os electricistas. É importante que não contratem apenas uma pessoa que perceba do assunto, mas sim uma pessoa que tenha tido formação na área em questão. Por sua vez, os especialistas devem estar muito bem informados sobre as condições que irão encontrar na escola, relativamente aos perigos ou riscos que estarão sujeitos e também sobre o trabalho que irão exercer.
   No seminário que presenciei, relativo à segurança e saúde na área educativa, a Dra. Cláudia Cadete, também nos alertou para o perigo de ocorrerem incêndios. Todas as pessoas da escola devem saber como agir em situação de incêndio.
    Em primeiro lugar, todos os estabelecimentos de ensino devem possuir extintores. Estes devem estar ao alcance de todos, bem assinalados e também devem estar operacionais (deve ter-se em conta a sua validade e o seu estado). Todos os indivíduos presentes na instituição escolar devem ter conhecimento da sua localização e utilização pois, só deste modo, poderão usá-los correctamente em caso de perigo.
   Quando algum espaço da escola incendeia é crucial que todos os intervenientes da comunidade escolar evacuem o espaço. No entanto, para que a evacuação do edifício seja eficaz e sem sobressaltos é fulcral que as pessoas saibam como têm que agir. Os simulacros são a melhor forma de dar a conhecer às pessoas o que elas têm que fazer para deixar o local em perigo. Estes simulacros devem ser realizados periodicamente e devem ser realizados como se se tratasse de uma situação verdadeira, uma situação de urgência.
   Os laboratórios e as oficinas são os locais onde ocorrem mais incêndios. É importante consciencializar as pessoas que estes espaços são os mais perigosos, porque possuem substâncias inflamáveis e porque possuem várias máquinas.
   Para prevenir eventuais perigos nestes locais é importante que todos saibam que, para trabalhar seguramente nestes espaços, existem regras que devem ser rigorosamente cumpridas. As inspecções e a manutenção destes lugares também são bastante pertinentes na medida em que podem prevenir eventuais perigos. Algumas das medidas básicas para evitar problemas nos laboratórios e nas oficinas são, por exemplo, o armazenamento de produtos perigosos, em lugares seguros; a limpeza e manutenção constante destes lugares e também devem existir os primeiros socorros à vista de todos (chuveiros e o lava olhos de emergência).
    Para além de todos estes cuidados a ter na escola, existem outros directamente ligados às crianças.
   Nas escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico, como nos jardins-de-infância, os distúrbios músculo-esqueléticos são frequentes. Os docentes, bem como auxiliares de educação têm tendência em pegar nas crianças ao colo, carregar objectos pesados, realizar tarefas domésticas muito pesadas sem pensarem nas consequências futuras. No momento, o corpo poderá não se ressentir, mas mais tarde o corpo acabará por manifestar efeitos secundários relativos a estas acções inconscientes. Por sua vez, as crianças levam para a escola mochilas muito pesadas, passam grande parte do tempo sentadas nas suas secretárias ou sentadas em frente a um computador. Tudo isto é prejudicial à saúde e as consequências irão aparecer mais tarde.
   Para evitar este tipo de distúrbios, não há uma regra a seguir. É importante observar as diferentes realidades (aluno, professor, funcionário e outros intervenientes), porque os distúrbios músculo-esqueléticos são diferentes em todas estas pessoas. Aqui é importante que cada um tome medidas para combater este problema. Cabe a cada um actuar para preservar e manter a sua saúde, evitando os riscos de perturbações músculo-esqueléticas, avaliando os riscos das perturbações músculo-esqueléticas que podem ser evitadas, adaptando-se ao progresso técnico. Para que a prevenção seja mais eficaz, cabe à comunidade escolar alertar, prevenir e sensibilizar os trabalhadores para todos estes perigos que irão pôr em causa a sua saúde.
   Além dos distúrbios músculo-esqueléticos, o stresse também é um grave problema que afecta muitos dos elementos da escola. Este stresse é uma das consequências de algumas pessoas que trabalham na instituição escolar. No entanto é importante referir que o stresse não é uma doença mas pode levar ao aparecimento de uma doença mental ou física; não é uma fraqueza individual mas é um resultado das características do trabalho ou do ambiente do trabalho.
   Como qualquer outro perigo é importante diminuir a sua incidência nos trabalhadores. szPara prevenir esta consequência do trabalho e necessário analisar os riscos, planear exaustivamente as medidas para o combater, utilizar o conhecimento técnico externos adequados, dialogar com toda a comunidade escolar, escolher a melhor forma de realizar um trabalho, tornar os trabalhos menos monótonos e fomentar a interdependência com as parcerias. Deste modo, o funcionário não estará tão sobrecarregado e não estará tão vulnerável para sofrer com o stresse.
   Outro motivo de preocupação nas escolas, é a violência escolar. Um inquérito realizado pela UE (2000) refere que 4% dos alunos é vítima de actos de violência e que 12% dos alunos está sujeito a intimidações. Estes dados são preocupantes, e assustam-nos ainda mais quando reflectimos e chegamos à conclusão que são as “nossas crianças” que estão a sofrer. Elas são o alvo preferido para os agressores. A violência não transporta apenas a parte de agressão física, a parte psicológica está, também, subjacente. É importante referir que ambos os tipos de violência podem causar danos irreversíveis nos indivíduos (crianças, adolescentes ou adultos). Assim torna-se pertinente afirmar que este problema não é um simples problema individual, mas sim um problema colectivo.
  A violência nas escolas, por exemplo, pode colocar em perigo a segurança das mesmas. O problema torna-se assim mais geral, porque engloba os alunos, os ex-alunos, os pais, os encarregados de educação, os visitantes, os intrusos e todos aqueles que estejam presentes na escola. Não é apenas a vitima que sofre as consequências, mas todos aqueles que estão envolvidos na situação.
   Como qualquer outro perigo é importante tomar medidas para combater este enorme problema. É importante que os docentes tomem algumas precauções quando estão em contacto directo com os pais ou encarregados de educação, deve-se evitar ficar na escola até muito tarde se não existir a presença de outros membros, deve-se sensibilizar os alunos para este problema e encontrar estratégias para que todos trabalhem cordialmente e se evitem conflitos.
    É importante transmitir a mensagem que “violência gera violência e pode pôr em risco a segurança e saúde dos intervenientes da comunidade escolar”. Todos têm que ter consciência deste problema e todos juntos têm que lutar para o combater, pois só desta forma conseguirão vencer.
   A escola é um poço de aprendizagens, de vivências, de experiências e de alegrias. No entanto, para que a vida escolar seja promotora de aprendizagens e para que os alunos vivam em harmonia é necessário prevenir e sensibilizar para os perigos e para os riscos que estão subjacentes à realidade escolar.
acho que é importante sensibilizar os futuros ou jovens trabalhadores para os riscos que poderão encontrar no seu local de trabalho, que poderão pôr em causa a sua segurança e a sua saúde. Assim sendo, se já estivermos sensibilizados para futuros perigos ou riscos, as nossas práticas já serão mais reflectidas e conscientes. A sensibilização torna a prevenção mais eficaz.
 Na área da educação, como pudemos constatar, perante o exposto anteriormente, existem vários perigos ou riscos a que toda a comunidade educativa está sujeita. Não irei abordar nem reflectir sobre os problemas que já mencionei no ponto anterior, por conseguinte, irei abordar outros problemas bem como as suas possíveis soluções que poderão pôr em causa a segurança e saúde nas escolas.
 Como já referi anteriormente, a escola, tal como outro local de trabalho, está sujeita a diversos perigos, no entanto, estas recebem alunos.Segundo o ISHST (2005) “Este grupo, sendo jovem, inexperiente e pouco conhecedor dos possíveis perigos para a Segurança e Saúde, é particularmente vulnerável. Além disso, ele próprio pode constituir um perigo”. Com esta citação pretendo reforçar a ideia de que a sensibilização dos perigos ou riscos existentes na escola é imprescindível para os combater. Para agir, todos os intervenientes da comunidades educativa devem estar sensibilizados e com vontade de agir. No entanto, muitas vezes a vontade dos intervenientes da instituição escolar não é suficiente. O apoio das parcerias é crucial.
Segundo o ISHST (2005) “Com a inter relação existente entre a comunidade educativa e o meio envolvente e com a divulgação das boas práticas já implementadas por algumas escolas no campo da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, o PNESST (2005) ambiciona contribuir para a diminuição da sinistralidade laboral e das doenças profissionais e fomentar a aproximação entre a escola e o mundo do trabalho”. Assim sendo, posso afirmar que o confronto com estas diferentes realidades, a diminuição da sinistralidade e a diminuição de doenças laborais irá contribuir para que as novas gerações enfrentem o futuro com mais conhecimento e sensibilidade, estejam mais capacitadas para uma melhor análise crítica dos perigos e comportamentos de risco. Só assim, formaremos cidadãos activos e conscientes que vivam em sociedade harmoniosamente.
 A escola desempenha um papel primordial no processo de aquisição de estilos de vida, que a intervenção da saúde escolar, dirigida ao grupo específico das crianças, pode favorecer, ao mesmo tempo que complementa a prestação de cuidados personalizados.
Segundo o Ministério da Saúde (sd) “No ano lectivo 2002/03, dos 357 Centros de Saúde existentes em Portugal, 96% fizeram Saúde Escolar. Esta actividade foi desenvolvida em 4398 (89%) jardins-de-infância, 8265 (89%) escolas do Ensino Básico e Secundário.”. É importante constatar que o nosso país está preocupado com a saúde das crianças que frequentam os diferentes estabelecimentos de ensino e está a tomar medidas para reduzir as potenciais problemas à saúde de cada aluno. No entanto, segundo o Ministério da Saúde, a monitorização do estado de saúde dos alunos é baixa. Para comprovar esta realidade, volto a citar o Ministério da Saúde “... dos alunos com necessidades de saúde especiais, detectadas na escola (24965), pouco mais de 50% (13160) teve o seu problema de saúde resolvido no final do ano lectivo”. Esta é a realidade constrangedora do nosso país. Porque não nos preocupamos mais com o bem mais precioso que temos, a nossa saúde? As escolas deverão ser promotoras de saúde e não deverão negligenciar determinados casos.
    Segundo o Ministério da Saúde “O apoio ao desenvolvimento curricular da promoção e educação para a saúde, pelas equipas de saúde escolar, cobre áreas tão diversas como a educação alimentar, vida activa saudável, prevenção da violência, educação para a cidadania e educação sexual e afectiva, SIDA, consumos nocivos, com destaque para o consumo excessivo de álcool, tabaco e drogas, nos diferentes níveis de ensino.” No entanto, não existem para todas estas áreas orientações técnicas que guiem a intervenção. É necessário que toda a comunidade escolar sensibilize os seus alunos para estes graves problemas que poderão pôr em causa a saúde e a segurança dos elementos das escolas.
 Os perigos ou riscos presentes na escola, como pude constatar perante o exposto, não dizem respeito só aquilo que vemos, o que é palpável. Existem outras vertentes, não menos importantes mas que passam, muitas das vezes despercebidas pelos intervenientes da acção educativa. O consumo de nocivos, nomeadamente tabaco álcool e drogas prejudica gravemente a saúde e a segurança dos alunos. É extremamente importante que os docentes sensibilizem para os perigos inerentes ao consumo de nocivos.
   Relativamente ao consumo das drogas, o docente deve abordar o tema abertamente e deve alertar os alunos para os perigos adjacentes destas substâncias.
 Segundo a OMS  "Droga é qualquer substância, química ou a mistura delas (à excepção daquelas necessárias para a manutenção da saúde, como, por exemplo, água e oxigénio), que altera a função biológica e possivelmente a sua estrutura" Ou seja, qualquer substância, natural ou sintética, que tem a capacidade de alterar as funções fisiológicas ou de comportamento da pessoa, é considerada como droga. Se vão existir alterações fisiológicas ou comportamentais na criança, o desenvolvimento saudável e integral da criança estará a ser posto em risco. É importante que as crianças saibam que o consumo de drogas irá reflectir-se a diversos níveis, nomeadamente na aprendizagem e no seu desenvolvimento saudável. É crucial transmitir a ideia que o consumo de drogas é maléfico para o nosso organismo e poderá originar várias doenças, nomeadamente a tuberculose.
 Ao longo da vida a criança irá ser confrontada com a presença de drogas, quanto a isso o docente quase nada ou nada pode fazer. No entanto, pode e deve alertar e sensibilizar os seus discentes para todos os perigos inerentes ao consumo de drogas, para que quando chegar o momento do confronto (se houver confronto) com as drogas ele saiba renegar o seu consumo. Só assim, a escola estará a formar cidadãos conscientes, responsáveis e, fundamentalmente autónomos.
   Relativamente ao consumo de álcool, também é importante consciencializar as crianças para o perigo que este pode causar na sua vida.
   Muitas das vezes, alguns alunos lidam diariamente com este problema (filhos de alcoólicos) e, deste modo, podem pensar que o consumo exagerado de álcool é algo normal e que não traduz nenhum problema para a saúde do indivíduo. É importante anular esta errada concepção. O docente deve, segundo a OMS, esclarecer os seus alunos dizendo que “O álcool é considerado uma droga psicotrópica, pois ele actua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência e desenvolver algumas doenças”. É crucial que o aluno perceba que o consumo de álcool, realizado pelos adultos, quando excessivo passa a ser um problema. Desta forma, o consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública, acarretando altos custos para a sociedade e envolvendo questões médicas, psicológicas, profissionais e familiares.
    A criança deve ser alertada para não consumir álcool. O docente deve transmitir a ideia de que o álcool só pode ser consumido pelos adultos e que estes têm de o fazer conscientemente atendendo aos seus riscos e perigos.
   Relativamente ao tabaco, é importante sensibilizar para que as crianças não se sintam motivadas para o experimentarem.
  Esta tarefa pode tornar-se mais complicada porque na nossa sociedade existem muitos fumadores (apesar do conhecimento dos malefícios que o hábito de fumar provoca). A criança pode, à partida pensar que fumar é natural e se grande parte da população o faz, significa que não faz mal à saúde. É urgente corrigir esta ideia para prevenir eventuais doenças directamente associadas ao consumo de tabaco.
  Segundo a OMS “a nicotina é uma das drogas mais consumidas no mundo, e é responsável por uma actividade económica que envolve milhões de euros, apesar de a nicotina do tabaco ser a droga que mais dependência causa”. É complicado explicar a uma criança que o tabaco é uma das drogas que mais dependência torna e que origina o aparecimento de doenças mortais, quando é a droga mais vendida em todo o mundo. No entanto é importante consciencializar os alunos que, segundo a OMS “o cigarro tem vários malefícios. Ele pode aumentar o batimento cardíaco alterar a pressão arterial, alterar a frequência respiratória e alterar a actividade motora”.
   As crianças podem sentir curiosidade em experimentar esta droga muito cedo. É urgente sensibilizá-las, revelando-lhes que o consumo de tabaco diminui a capacidade de concentração, prejudica a capacidade de aprendizagem, pode alterar comportamentos, pode contribuir para a baixa auto-estima da criança e pior, pode causar a morte do fumador.  
   A comunidade educativa deve dar a conhecer as consequências do consumo do tabaco, álcool e drogas; deve informar os alunos sobre as doenças provocadas por estes; deve fornecer informação sobre métodos de cura e superação da sua dependência; deve sensibilizar para a acção (como reagir/actuar perante situações de alcoolismo, tabagismo e toxicodependência). O professor também deve ser um exemplo a seguir pelos alunos, assim, mesmo que tenham hábitos de vida menos saudáveis nunca os deve realizar perto das “suas crianças”. Deve “dar o exemplo.”
    As escolas devem incentivar para a vida sem drogas, para uma vida saudável e segura. É importante que os docentes abordem este tema abertamente, sem preconceitos e que respondam a todas as dúvidas dos seus alunos, pois só assim estarão a salvar algumas vidas de crianças que se tornarão futuros adultos, e que (possivelmente) não pensam nas consequências futuras dos seus actos. A saúde é o bem mais precioso que possuímos, urge preservá-lo e assegurá-lo, para vivermos melhor.
    Outro problema que me preocupa, particularmente nas escolas é o abuso sexual infantil. Senti necessidade de reflectir sobre o tema porque na escola da Glória, onde estou a exercer a prática pedagógica, um aluno foi molestado. O que poderá a escola fazer para prevenir esta situação horrenda?
 É possível transmitir alguns valores às crianças, na escola. É importante educar para que as crianças consigam decifrar o que é correcto e é errado na nossa sociedade e para, posteriormente, se protegerem. Ao transmitir valores, a escola está a proporcionar momentos de reflexão sobre o tema que podem contribuir para que as crianças rejeitem o que não desejam e para que se tornem capazes de reduzir a sua grande vulnerabilidade ao abuso sexual.
Segundo a revista nº 8, Professores do 1º e do 2º Ciclo do Ensino Básico (2006) “as exigências de docibilidade, de simpatia com os mais velhos, a escassa autodeterminação e a pouca credibilidade do discurso das crianças para com os muitas pessoas adultas, entre outros aspectos, criam um cenário propício à violência contra elas.”. Assim sendo, posso afirmar que não serão todas as crianças que poderão ser vítimas de abuso sexual infantil mas, sim, aquelas que cumprem uma série de condições prévias ligadas à submissão, à excessiva obediência e ao medo. É junto destas crianças (não descurando as restantes) que o docente deverá intervir e alertá-las para o abuso sexual.
   Quando um professor se apercebe que uma criança sofre de abuso sexual, a função deste não caberá em descobrir a veracidade da sua suspeita, deve então, segundo a revista atrás referida, “gerir e articular os recursos institucionais internos e externos a fim de colaborarem no esclarecimento da situação e protegerem o aluno”. O objectivo da instituição escolar deverá incidir na segurança e na saúde dos seus intervenientes e, consequentemente, deverá estar atenta a estes problemas gravíssimos e visíveis apenas, para quem se preocupa realmente com as suas crianças.
   O trabalho interdisciplinar, dentro da escola, é importantíssimo. Só através desta interdisciplinaridade se consegue dar uma resposta mais eficaz ao problema do abuso sexual e também contribui para que não seja apenas a escola a arcar com a angústia que esta situação pode causar. Este é um problema colectivo, que não afecta apenas a vitima de abuso sexual, mas todos os restantes alunos, assim sendo é fundamental que todos lutem para combater este problema colectivo.
 As vítimas de abuso sexual, segundo a revista nº 8, Professores do 1º e do 2º Ciclo do Ensino Básico (2006), necessitam de “uma assistência adequada”. Esta situação “requer um trabalho intersectorial entre a instituição educativa e as instituições de justiça e de saúde responsáveis pelo tratamento deste problema”. Só com a ajuda de todos será possível ultrapassar este problema sem aumentar as consequências negativas que o abuso sexual pode causar nas crianças.
 Como poderão os professores agir para prevenir? Na minha opinião a educação sexual deve ser implementada desde cedo nas escolas. É importante que a criança descubra a sua sexualidade e que tenha acesso à informação adequada.
    Muitos pais são contra a educação sexual nas escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico. No entanto, a criança, mesmo quando ainda está no berço já está a descobrir a sua sexualidade. Com esta afirmação pretendo salientar que não há um momento definido para abordar o tema. É importante que os alunos descubram a sua sexualidade com ajuda de adultos responsáveis, do que através dos mass media. Também é importante, desde cedo, abordar o tema abertamente, para que este não se torne num tabu, num tema proibido. O aluno deve sentir-se à vontade para expor todas as suas dúvidas e inquietações.
   Voltando a casos reais, presentes na escola da Glória, posso dizer que algumas meninas quando lhes surgiu a primeira menstruação, não contaram aos pais, mas sim à docente Virgínia. Estas meninas viram na professora uma amiga, uma companheira em quem podiam confiar. Porque será que não contaram aos seus pais? É triste afirmar que a educação sexual é ainda, para algumas pessoas, um tabu. Assim, estas meninas não se sentiram à vontade para falar com os seus pais sobre a primeira menstruação. Este facto é gravíssimo. Se elas tiveram medo da reacção dos pais, para algo que faz parte da natureza feminina, será que vão questionar os seus pais sobre, por exemplo, a utilização de métodos contraceptivos ou doenças sexualmente transmissíveis? Eu penso que não. Mas também penso que a escola deve tomar o primeiro passo e abordar abertamente estes temas, tal como faz a docente Virgínia. Sempre que algum tema surge na sala de aula, a professora atrás mencionada, deixa tudo para trás e aborda esse tema sem receios nem inquietações. È esta postura que o docente deve ter. É esta postura que eu espero conseguir ter, para que os meus alunos vivam em segurança, preservem a sua saúde e para que se tornem adultos responsáveis e sobretudo, adultos informados.
 Existem muitos outros aspectos que merecem uma atenção e sensibilização especial. Cabe ao professor, analisar o contexto em que os seus alunos estão envolvidos para incutir valores indispensáveis para a adopção de hábitos de vida seguros e saudáveis.
A escola, como agente socializador com grande relevância, deve ser segura e promotora de hábitos de vida saudável, para que os alunos transponham a realidade escolar para a vida em sociedade.
Para elaborar esta ficha de leitura pesquisei a lista de sítios da Internet que se segue:
 
http://www.ishst.pt/ISHST_NoticiaPress.aspx?nid=A000000000003515
      Acedido em 24 de Março de 2007;
Disponibilizado por: ISHST;
Última actualização: sd;
 
http://www.dgsaude.min-saude.pt/pns/vol1_531.html
      Acedido em 25 de Março de 2007;
Disponibilizado por: Ministério da Saúde - Direcção geral de saúde;
Última actualização: 2005
 
http://www.ismai.pt/MDE/Internet/PT/Superior/Escolas/ISMAI/Sites/CentroApoioTecnicoSegurancaTrabalho/Projectos/FormacaoEscolas.htm
      Acedido em 25 de Março de 2007;
Disponibilizado por: ISMAE, Instituto Superior da Maia;
Última actualização: sd;
 
http://oficina.cienciaviva.pt/
Acedido em 25 de Março de 2007;
Disponibilizado por: oficina de ciência viva;
Última actualização: sd;
 
http://www.drogas.pt
      Acedido em 26 de Março de 2007;
Disponibilizado por: IDT – Instituto da Droga e da Toxicodepência
Última actualização: 2007;
 
http://www.toxicodependencias.pt/3-2002/abertura.html
      Acedido em 26 de Março de 2007;
Disponibilizado por: Ministério da Saúde – Instituto da Droga e da Toxicodependência;
Última actualização: 2007;
 
http://www.psicologia.com.pt/instrumentos/drogas/ver-fichas.php?cod=tabaco
      Acedido em 26 de Março de 2007;
Disponibilizado por: psicólogos clínicos ;
Última actualização: 2007;    
 
Outros documentos:
Revista nº8, professores do 1º e do 2º Ciclo do Ensino Básico, 2006, editora ediba
 

 
publicado por mise às 00:04
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. DESAFIO :P

. Perigos e riscos na escol...

. Ler: o caminho para a fel...

. Amizade...

.arquivos

. Março 2009

blogs SAPO

.subscrever feeds